Sábado, 15 de Maio de 2010

O raio x do campeão nacional 09/10

O SEGREDO DO SUCESSO 

 

A vitória encarnada na Liga Sagres versão 09/10, começa fora do relvado e na dupla Vieira/Rui Costa. Presidente e Director Desportivo depois de falhada (ainda rendeu uma Taça da Liga) a aposta num técnico estrangeiro (Quique Flores), com poucos conhecimentos a nível de futebol português, decidiram apostar num treinador nacional, com provas dadas e, sobretudo, com muita experiência acumulada. Quase duas décadas de carreira. A juntar a isso, a dupla Vieira/Rui Costa, voltou a investir em nomes sonantes de forma a enriquecer o plantel e aumentar o leque de opções da equipa técnica, como também, o equilíbrio e competitividade do mesmo. Factor decisivo e ausente nas últimas temporadas, no clube da Luz. A falta de qualidade no plantel e o desequilíbrio deste, foram determinantes para que, a maioria das épocas do Benfica tivessem sido autênticos fracassos.

 

Depois de contratada uma nova equipa técnica, encabeçada pelo carismático Jorge Jesus, que sucedeu ao espanhol Quique Flores. O Benfica virava-se para os reforços. O argentino Saviola (mais um que foi decisivo ao longo da caminhada gloriosa), compatriota de Di Maria e Pablo Aimar, vindo do Real Madrid, foi o nome mais sonante da pré época do clube encarnado. A dupla de dirigentes encarnada decidia manter a aposta em nomes com créditos dados no futebol europeu. Depois de na temporada transacta ter chegado à Luz Aimar, em 09/10, a aposta recaia no " El Conejo ", que curiosamente, já tinha protagonizado com Aimar, uma das duplas de maior sucesso no futebol Sul Americano na década de 90, ao serviço do River Plate da Argentina. A dupla reunia assim boas hipóteses de voltar a causar sensação agora de águia ao peito, anos depois de ter jogado junta pela última vez.

 

Menos sonantes, mas com selo de qualidade, foram as contratações de Ramires, internacional brasileiro, vindo do Cruzeiro. E do espanhol Javi Garcia, mais um que deixava o Santiago Bernabéu e rumava ao Estádio da Luz. Uma dupla de médios que viria a ser fulcral na conquista do campeonato cinco anos depois. Chegaram ainda outros jogadores. Alguns deles menos decisivos, mas importantes na rotação do plantel, casos : de César Peixoto ou Weldon. Nem todas as apostas foram sucesso garantido. Keirrison, uma das grandes promessas do futebol brasileiro, recém-contratado (15 milhões de euros) pelo Barcelona, sem espaço na equipa espanhola, mudava-se para a Luz por empréstimo da equipa catalã. Mas a sua primeira experiência no futebol europeu não foi a melhor. Sentiu enormes dificuldades para se afirmar na equipa e acabou por ser emprestado à Fiorentina na reabertura do mercado em Dezembro.

 

Júlio César, aposta de Jorge Jesus, com quem já tinha trabalhado no Belenenses, não convenceu na sua época de estreia. O outro argentino que também chegou a fazer parte do plantel, foi o lateral esquerdo Shaffer. Com as apostas em César Peixoto e Fábio Coentrão para o lado esquerdo defensivo, o sul americano ficou sem espaço e regressou ao seu país por empréstimo. O mesmo sucedeu com o lateral brasileiro Patric, que regressou ao Brasil, ainda antes de temporada se iniciar. Filipe Menezes foi visto como uma aposta para o futuro a médio longo prazo. Teve poucas ocasiões, mas deixou quase sempre boas indicações. Em Dezembro, de forma a atacar outras provas, chegaram mais três reforços vindos do futebol canarinho. Airton, campeão brasileiro pelo Flamengo em 2008, chegou como alternativa a Javi Garcia. Éder Luís e Alan Kardec reforçaram o sector atacante. Airton e kardec já mostraram que têm qualidade e podem ser úteis. Éder Luís terminou a temporada sem conseguir convencer, 10/11 pode ser a época da confirmação.

 

Com um plantel equilibrado, competitivo, recheado de boas alternativas e muita qualidade, Jorge Jesus entrou em acção e colocou em prática todas as suas ideias para fazer do Benfica o novo campeão nacional. O seu principal objectivo, e um dos grandes desejos da direcção encarnada. Jorge Jesus assim que foi apresentado como o novo técnico do Benfica, fez questão de dizer que achava que ia ser campeão. E que os seus jogadores tinham de render o dobro (isso verificou-se logo na pré temporada, período de grande sucesso). Terminada a temporada não se enganou, prometeu e cumpriu. A boa campanha do Sporting de Braga (deu luta até à última jornada), só veio valorizar ainda mais o título do Benfica. 

 

A equipa encarnada foi de longe a melhor e mais forte formação no decorrer da época em Portugal. Foi a mais regular. Independentemente dos famosos " túneis ", que mais tarde deram origem a alguns castigos (um jogador do Braga e outros dois do Porto), a conquista encarnada não deixou qualquer dúvida. A equipa superiorizou-se aos seus adversários do primeiro ao último minuto. Jorge Jesus apostou desde de início num futebol vistoso e de ataque. O futebol do Benfica versão 09/10, foi claramente o mais espectacular. A equipa foi sempre ambiciosa. Jogou sempre ao ataque. Conseguiu juntar o útil ao agradável : venceu e deu espectáculo. Pela performance da equipa, é justo dizer que o Benfica foi um justo campeão e, que o seu treinador, fez um óptimo trabalho. Foi um dos grandes obreiros do título.

 

Na maioria das vezes, um bom treinador : é aquele que não inventa muito e, que de forma simples, coloca os jogadores na sua verdadeira posição ; que consegue retirar o máximo de cada um deles ; que forma um onze tipo que lhe permite criar rotinas de jogo. Que é coerente nas suas avaliações e escolhas. Que consegue passar a mensagem certa dentro e fora do balneário ; que consegue encontrar alternativas ; que sabe e consegue motivar as suas tropas ; que é competente no trabalho que faz. Jorge Jesus conseguiu ter êxito em todos estes aspectos, entre outros. Isso foi meio caminho andado para triunfar. 

 

Jorge Jesus pode não falar tão bem quanto Quique Flores, mas pôs a equipa a jogar à bola. Conseguiu melhores resultados. Venceu o Campeonato ; a Taça da Liga e chegou aos quartos-de-final da Liga Europa. Para quê que serve ter um treinador que se expressa muito bem, que é educado, e bom falante, mas ao mesmo tempo : inventa demasiado na altura de colocar as pedras no tabuleiro, não consegue tirar o máximo dos seus jogadores ; que chega ao final da temporada sem um onze tipo definido ; não sabe motivar os jogadores ...  Um treinador está lá para apresentar resultados. E Jorge Jesus apresentou-os. Pode-se dizer que a temporada foi muito boa. Se a equipa tivesse chegado mais longe na Taça de Portugal e na Liga Europa, teria sido uma grande época.

 

Os encarnados conquistaram setenta e seis pontos. Trinta jogos ; vinte e quatro vitórias ; quatro empates ; duas derrotas ; setenta e oito golos marcados (só no campeonato), apenas vinte sofridos. Estes foram números esclarecedores, que ajudam a perceber bem a supremacia encarnada na prova. Melhor ataque e melhor defesa em conjunto com o Sporting de Braga. Várias goleadas (uma das imagens de marca deste Benfica). O melhor marcador (Cardozo) da Liga com 26 golos. E Di Maria, para muitos, o melhor jogador do campeonato, rei das assistências, que pode estar de saída após o Mundial da África do Sul. Quim foi o dono da baliza. No lado esquerdo da defesa, Jorge Jesus apostou sempre na rotatividade. César Peixoto e Fábio Coentrão eram as opções. No lado direito sucedeu o mesmo ao longo da época. Maxi Pereira e Ruben Amorim deram sempre boas garantias. No eixo defensivo, nada de rotatividade, Luisão e David Luiz, formaram a dupla de centrais.

 

Javi Garcia conquistou a posição seis. No lado esquerdo do ataque, Di Maria foi rei e senhor. Foi claramente a temporada da confirmação. No lado direito, o incansável Ramires. Nas costas da dupla atacante, a tal rotatividade com Aimar e Carlos Martins. A dupla que fez miséria nas defesas contrárias, esteve a cargo de Saviola e Cardozo. Saviola era uma espécie de abre latas. Abria caminho, livrava-se dos defesas, deambulava pela frente de ataque e assistia o matador Cardozo, que com a sua forte presença de área, capacidade física e sentido posicional, limitava-se a fazer golos. Claro que os adeptos também tiveram a sua quota de importância. Encheram estádios, à chuva ou ao sol, percorreram o país de norte a sul com a esperança, que cinco anos depois, o título viesse parar á Luz, e veio mesmo, de forma inegavelmente justa !!!

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publicado por andre--- às 14:42
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