Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Liga Sagres 09/10 - Um olhar sobre a prestação dos candidatos

PORTO E SPORTING DESILUDIRAM

 

BENFICA FOI CAMPEÃO, MAS FOI O BRAGA QUE MAIS SURPREENDEU

 

BENFICA

 

Os números (golos, vitórias e pontos) falam por si, o Benfica foi de facto uma equipa fortíssima ao longo do campeonato. Poucos acreditariam que a equipa de Jorge Jesus conseguisse manter os índices de regularidade durante tanto tempo. Além de ter sido uma formação regular, jogou sempre de forma ofensiva e espectacular. Foi um campeão convincente. Aliou a regularidade das vitórias à regularidade exibicional. Ganhava, mas convencia na maioria das vezes, graças ao seu estilo de jogo. Mérito de Jorge Jesus, que além de procurar a vitória a cada jogo, o melhor rendimento de cada jogador, preocupou-se sempre com a forma de actuar da equipa.

 

Desde que a prova passou a contar com apenas 16 equipas, nunca o vencedor amealhou tantos pontos (76). A experiência do treinador, os seus métodos de trabalho e as suas ideias foram importantes, mas um plantel equilibrado e recheado de qualidade é determinante. Foi recorrente ver o técnico encarnado apostar num sistema de rotatividade. Algo que só é possível quando se tem um grupo que nos dá garantias. Aquele primeiro empate na prova, diante do Marítimo na Luz, logo na primeira jornada, trouxe de volta alguma desconfiança (fantasmas do passado), principalmente pela " Silly Season " que os encarnados tinham realizado. Alguns meses depois, pode-se dizer que foi apenas um contra tempo, este era mesmo o ano do Benfica.

 

PORTO

 

É difícil dizer quem surpreendeu mais pela negativa na Liga em 09/10 : o Porto ou Sporting ?! Os azuis-e-brancos partiam como um dos principais candidatos. Por duas razões : eram os campeões nacionais em título, faziam e fazem parte do grupo dos candidatos crónicos. O objectivo era manter o domínio que já durava há quatro temporadas. Vencer o quinto campeonato consecutivo (teria sido o segundo penta da história do clube), era o alvo principal da equipa técnica e do plantel. O Porto abriu a nova temporada a vencer. Um triunfo diante do Paços de Ferreira, garantia mais um troféu para a sua galeria : a Supertaça. Era um bom prenúncio. Ilusão. Na primeira jornada, o Porto voltava a encontrar-se mais uma vez com o conjunto pacense. No espaço de quatro meses, as duas equipas defrontaram-se três vezes (Taça de Portugal, Supertaça e Liga).

 

Se nos primeiros dois embates o Porto tinha levado a melhor, no terceiro duelo não foi além de um empate arrancado a ferros. O Paços esteve em vantagem até bem perto do final. Altura em que entrou em cena um dos novos reforços : o colombiano Falcao. Ele que abriu e fechou a sua primeira aventura na Liga Portuguesa a marcar. O Porto não começava da melhor maneira a defesa do título. O maior problema da equipa, foi este tipo de resultados, com equipas medianas, casos : do Paços, Belenenses, Leixões ou do Olhanense. Só com estas quatro equipas, o Porto perdeu 10 pontos. Seis deles em casa, pouco habitual num candidato. Uma segunda volta como a primeira, teria sido bem diferente. Ficar em terceiro, quando se partia como detentor e favorito da prova, foi no mínimo surpreendente, e ao mesmo tempo uma autêntica desilusão. O grande motivo pela provável saída do professor Jesualdo ferreira.

 

SPORTING

 

Se a Liga Sagres 09/10 para o Porto foi surpreendente e uma autêntica desilusão, para o Sporting foi decepcionante, uma verdadeira humilhação. Terminou na quarta posição com apenas 48 pontos. Ficando a dois da meta dos cinquenta. Isto, quando o terceiro fez mais de sessenta e os dois primeiros ultrapassaram a barreira dos setenta. A equipa de Alvalade fez menos 28 pontos (há muitos e muitos anos que não acontecia) que o vencedor da competição. O Sporting ficou fora da corrida no final de Janeiro passado. Estávamos nós na décima sétima jornada. Os leões estavam arredados do título quando ainda faltava disputar a segunda volta, praticamente toda. A derrota em Braga por 1-0, deixava a equipa leonina fora, não só do primeiro, como do segundo lugar (posto de Champions). Os problemas da equipa começaram muitos antes. A péssima pré época, a saída de Paulo Bento e a classificação (quarto lugar) foram alguns dos pontos altos de uma das piores temporadas da história do Sporting. Tudo começa nos jogos de pré temporada. A equipa dos vários desafios que efectuou, venceu apenas um : o Atlético do Cacém.

 

O arranque era tudo menos animador. A precisar de reforços com alguma urgência, chegaram a Alvalade apenas e só : Matias Fernandez, Angulo e Caicedo. O primeiro manteve-se no plantel até ao final da época, os outros dois abandonaram o clube em Dezembro. Dois fracassos tremendos. Depois de uma " Silly Season" deplorável, o Sporting arrancou a temporada com a terceira pré eliminatória da Liga dos Campeões. A equipa continuava sem vencer. Ainda assim, conseguiu deixar pelo caminho o Twente (o novo campeão Holandês). Dois empates foram suficientes. Um nulo em Alvalade, seguido de uma igualdade a um golo na Holanda, muito sofrida. O leão a perder (1-0) desde os minutos iniciais, conseguiu o golo que lhe dava o apuramento para o play off, em cima da hora. Fiorentina era o próximo adversário. Um empate a dois golos na primeira mão em casa, deixava a equipa longe da fase de grupos. Em Itália, o Sporting, tal como na primeira mão, também chegou a estar em vantagem, mas permitiu a igualdade (1-1) e ficou fora da prova. Pelo meio, mais um empate (Nacional) e uma derrota (Braga), nas duas primeiras jornadas do campeonato. O Sporting ansiava por triunfos.

 

A equipa esteve sem vencer, seis jogos. O famoso slogan do presidente : " Paulo Bento forever ", perdia força. Uma saída do técnico leonino era inevitável. Cinco de Novembro de 2009, data do último jogo de Paulo Bento no comando do Sporting. Um empate caseiro frente ao desconhecido Ventspils, em jogo da Liga Europa, fazia Paulo Bento renunciar ao cargo. Antes a equipa já havia empatado, também em Alvalade, com o Marítimo pelo mesmo resultado. Terminava o ciclo de Paulo Bento. Carlos Carvalhal, o homem que tinha conduzido o Vitória de Setúbal à vitória na primeira edição da Taça da Liga, curiosamente ante o Sporting, era o substituto de Paulo Bento. Substituto a curto prazo.

 

A equipa teve algumas melhorias. Teve um fase boa no inicio de 2010. Logo depois deitou tudo a perder. Depois de um ciclo terrível de jogos sem ganhar. Foi irregular. Na Liga Europa chegou aos oitavos-de-final. Sendo eliminada pelo Atlético de Madrid. O empate na primeira mão a zero foi animador. A má entrada em Alvalade (a perder desde cedo), foi meio caminho andado para ficar de fora da próxima ronda. O que é que faltou ao Sporting ?! Esforço, dedicação, entrega, garra. Mas sobretudo, vários reforços. Jogadores que tornassem o plantel mais competitivo. Dos candidatos, o Sporting foi quem teve o plantel mais curto, quando sabia que ia disputar quatro provas : Liga dos Campeões ; Campeonato ; Taça de Liga e de Portugal. Reflectir sobre os erros do passado, será uma óptima aprendizagem.

 

BRAGA

 

Surpreendeu tudo e todos !!! A grande revelação da época em Portugal foi mesmo o Sporting de Braga. E o início de temporada até nem foi muito animador. Os guerreiros do minho fizeram história em 09/10. Sem os argumentos dos três grandes, intrometeram-se numa luta que não costumava ser a sua. Lutaram pelo título até à exaustão. Ombrearam com o campeão nacional Benfica até à última jornada da prova. Por tudo o que conseguiram produzir, mereceram com enorme justiça levar a decisão do título para a derradeira e última jornada da Liga Sagres. Caíram de pé. Não foram tão espectaculares com a formação da Luz, mas conseguiram manter a regularidade que os caracterizou ao longa da temporada. Domingos Paciência soube olear a máquina. Nem a saída de João Pereira para o Sporting, o Castigo de Vandinho e a lesão de Mossoró, impediram o Braga de lutar de igual para igual, com uma formação que investiu vários milhões de euros no seu plantel.

 

O Braga foi extraordinário, foi enorme, fez papel de grande. Deixou para trás Sporting e Porto. Garantiu a segunda posição, a melhor de sempre da sua história, e vai discutir a presença na fase de grupos da Liga Milionária. Foi uma temporada de sonho no Axa.  A época até nem arrancou da melhor maneira. Duas derrotas na pré eliminatória da Liga Europa, diante dos suecos do Elfsborg, atiraram com os arsenalistas para fora das competições europeias. Começava mal, o novo técnico do Braga. Mal sabiam os adeptos bracarenses o que ainda estava para vir. Ultrapassados os dois primeiros encontros oficiais e a consequente eliminação. O Braga arrancou para um início de campeonato, invulgar, histórico, e, acima de tudo, demolidor. Sete vitórias consecutivas. O Rio Ave pode-se orgulhar de ter sido a primeira equipa a roubar pontos aos minhotos. Foi na jornada número oito, na deslocação a Vila do Conde, num empate a um golo, que o Rio Ave, colocou um travão na serie vitoriosa dos pupilos de Domingos Paciência.

 

A primeira derrota só viria a aparecer no derby do Minho, duas jornadas depois. Jornada número dez, o sensacional Braga caía pela primeira vez na Liga, no confronto com o Vitória, ao perder por 1-0 no Afonso Henriques. A primeira volta foi 100% vitoriosa para o Braga, no que diz respeito aos desafios diante os três grandes. Triunfos em Alvalade por 2-1. No Axa frente ao Porto por 1-0. E, ainda, diante do Benfica por 2-0. Quase todos duvidaram da capacidade da equipa para se manter no topo durante vários meses. Para muitos, até mostrar que estavam errados, o Braga nunca foi um candidato. Acreditavam durante vários meses que a equipa não iria ter pedalada para continuar no topo. E, que mais tarde ou mais cedo, ia mesmo acabar por cair, e a lutar pela Liga Europa.

 

Foi uma Braga de fibra. O núcleo duro foi um dos segredos do sucesso. A maioria dos jogadores já se conhecia bastante bem. A espinha dorsal da equipa joga junta há mais de duas ou três épocas. A aposta em Hugo Viana também foi fulcral. Os reforços que vieram em Dezembro, foram úteis. Jorge Jesus até pode ter alguma razão, quando diz que foi ele quem construiu o plantel, no entanto foi Domingos Paciência que se sentou no banco de suplentes. Também foi ele que colocou a equipa a jogar em 4x3x3. Que na minha opinião, tem mais a ver com os jogadores que compõem o plantel arsenalista. O Braga não ganhou nada (merecia), mas está de parabéns pela temporada que realizou. Não sendo o Braga um grande, não tendo o Braga a capacidade financeira de um Benfica ou um Porto, ou até um Sporting, teve um desempenho brilhante.

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publicado por andre--- às 17:35
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