Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

A opinião de mais um treinador de bancada

UM OLHAR SOBRE A PRESTAÇÃO PORTUGUESA

 

Tenho de confessar, que nunca gostei muito do Carlos Queiroz como treinador principal. Não digo isto por causa da eliminação portuguesa. Para mim podiam ter ganho à Espanha. Até podiam vencer o Mundial, que eu iria continuar a ter a mesma opinião acerca do professor. Como treinador principal, nunca me convenceu (duvido que algum dia me consiga convencer). Isto (esta desconfiança) já vem de outros tempos, que pouco ou nada tem a ver com o seu trabalho na selecção. Na minha modesta opinião, ele continua a viver à sombra dos êxitos que teve com os sub-20. Mas também não é por ter sido eliminado, que o vou arrasar. Até porque a Derrota nunca é só do treinador. Quando ganham, ganham todos. Quando perdem, perdem todos.

Na terça-feira, voltou (Queiroz) a confirmar que tem decisões (em vários jogos) que deixam muito a desejar (daí a minha opinião negativa em relação a ele). Colocar o Ricardo Costa e o Pepe de início (são só alguns exemplos), e tirar o Hugo Almeida que até estava bem no jogo, é incompreensível (pelo menos para mim). Não fez, nem nunca fará sentido para os adeptos, e até mesmo para a maioria dos jogadores (há um vídeo que mostra o descontentamento de Ronaldo em relação a uma das substituições). O Primeiro (Ricardo Costa) foi logo visto como o elo mais fraco. Sem velocidade e rotina de posição (lado direito da defesa) foi bombardeado pelo Villa desde o começo. Os espanhóis não são parvos, e perceberam que podiam tirar partido disso. O número sete espanhol levou quase sempre a melhor. Aliás, o golo nasce sobre o lado direito da nossa defesa. Quem é que lá estava ?! O segundo (Pepe), ainda não tinha o ritmo ideal para uma competição destas. Dos jogos que efectuou, mostrou que não estava completamente apto. Fui um dos que sempre achou que não devia fazer parte do 23.

Estas (referidas no segundo parágrafo) foram opções que deixaram muito a desejar. Depois é aquele tipo de treinador que só arrisca (quando decide arriscar), quando está a perder. Quando vê que não tem alternativa. Na maioria das vezes parece ser pouco ambicioso. Quando se treina uma selecção como Portugal, tem que se ser mais audaz. Hoje em dia somos tão favoritos quanto as grandes potências. Temos alguns dos melhores jogadores do mundo. Temos de pensar de outra forma. Já não somo mais aquela selecção que de vez em quando surpreendia o mundo do futebol. Portugal hoje em dia é uma referência. Tem de adoptar outra postura. A começar pelo treinador. Jogar sempre para ganhar. Jogar sem medo. Com respeito sim. Com medo não. Com a Costa do Marfim, jogámos sem medo ?! Com o Brasil, jogámos em medo ?! Com a Espanha, jogámos em medo ?!

Ele (Queiroz) ontem conseguiu surpreender pela positiva e pela negativa. O que fez de bom, estragou logo de seguida de forma inesperada. Montou uma boa estratégia. Portugal teve períodos muito bons (nos primeiros 45 minutos não foi inferior ao seu opositor em nada). No segundo tempo, entrou em acção o lado mais contido do professor. Com o jogo empatado a zero, retira um ponta-de-lança e lança um médio mais criativo, que não deixa de ser um médio. Perde-se a referência, a presença e o poder de choque de Hugo Almeida, perde-se também um dos melhores em campo naquele jogo. As consequências foram imediatas. Portugal recua ( e fica demasiado tempo sem incomodar o último reduto espanhol). A Espanha parte para cima e chega ao golo.

Outro dos aspectos em que Carlos Queiroz falhou, foi no domínio do grupo. Em pouco menos de um mês, viram-se três casos de indisciplina evidentes. O primeiro foi Nani. Aquela mudança (Nani por Amorim) continua por esclarecer. Ninguém acredita que tenha sido só por causa de uma provável lesão. Acredito que um dia a verdade virá ao de cima. Ou quem sabe bem mais cedo do que se espera. O segundo caso ocorreu com o médio Deco. Também poucos acreditam que Deco se lesionou, e foi por isso que falhou os jogos seguintes, após as suas declarações. Seguiu-se Ronaldo. Esta bem mais grave. Trata-se apenas e só do capitão. Em pouco menos de um mês, três casos de indisciplina. É caso para dizer : é muito em tão pouco tempo.

Contínuo com a minha opinião : sempre o vi como um grande adjunto. Todo aquele trabalho que ele tem com as estatísticas, observações, etc. É de grande valor. Foi por isso que Alex Ferguson decidiu apostar nele. Não foi ao acaso. Como adjunto é um dos melhores, não duvidem. Como técnico principal, continua sem me convencer.

Portugal não fez um bom, nem um mau Mundial. Fez uma prova razoável. Durante o jogo, na minha opinião, houve um ou outro lance chave. Um deles foi na altura em que o Hugo Almeida tentou passar/cruzar, e o Puyol acabou por fazer o corte, e quase fez auto golo.
Com um pouco de sorte, Portugal tinha chegado ao golo. O jogo podia ter sido diferente. Também é verdade que a Espanha entrou melhor. E teve mais ocasiões. O Queiroz foi infeliz com aquela substituição. Anulou o ataque português. Depois dessa mudança, Portugal teve demasiado tempo sem incomodar a baliza do Casillas.
 
Acho que a selecção ganhou um bom guarda-redes. Eduardo foi um dos melhores neste Mundial. Eu se calhar não apostaria nele como titular. Tirando o segundo jogo. Esteve sempre em destaque. A mim surpreendeu-me. E, aí, o mérito é do seleccionador. Também não restam dúvidas quanto ao dono do lado esquerdo da defesa. Coentrão revelou-se. Mérito do Queiroz. Eu provavelmente também não lhe daria a titularidade, por uma única razão. Jogar como lateral esquerdo na Liga Portuguesa, é uma coisa. Num Campeonato do Mundo é outra. Um Mundial coloca outras dificuldades que o campeonato português raramente colocará. A dupla de centrais também mostrou grande coesão. Ganhámos um boa dupla. O Tiago e o Meireles também se portaram bem.Tal como o Hugo Almeida. Pepe, Deco, Simão, Danny, Liedson e o Ronaldo (sendo ele um dos melhores da actualidade, espera-se sempre mais e melhor), desiludiram muito.

 

O Ronaldo demonstrou que não tem maturidade suficiente para envergar a braçadeira de capitão. Não é por ser o melhor, ou um dos melhores do mundo, que deve capitanear a equipa. Não se desculpem com o facto de ter sido o seleccionador anterior a tomar essa decisão. Queiroz quando chegou lá podia ter nomeado outro capitão. Para se envergar a braçadeira, tem de se ter categoria. Responsabilidade. O Ronaldo não tem, nem nunca teve perfil de capitão. Essa é a grande verdade. Temos de aceitá-la. Além disso, devia mudar o seu comportamento na selecção. Se cada um dos internacionais for à procura de mais protagonismo na selecção, não vai lá fazer nada. O meu capitão seria o Ricardo Carvalho.

Os jogadores até podem estar de cabeça quente (é normal), por isso, não devem falar logo a seguir ao jogo. Porque ao falarem a quente, dizem coisas que ficam na memória. Que fazem mossa. E por muito mau que um treinador seja, não merece que se coloco em causa a sua autoridade, as suas decisões. Esse tipo de convesas, desabafos, comentários, são para se ter no balneário, e não em público. Fica mal visto o jogador, e fica mal visto o treinador. Nenhum dos dois ganha com isso. E são sempre situações de lamentar. São nestes pormenores, que o Ronaldo tem de crescer muito, mas muito mesmo. Continua a anos luz de alguns jogadores.

Resumindo e concluindo, acho que ele (Carlos Queiroz) falhou no balneário. Não conseguiu domar as feras. Muitas saídas resultam neste tipo de querelas entre jogador/treinador. Concordo em absoluto com o David Borges (jornalista da SIC), quando este diz que o Carlos Queiroz está num mundo à parte. O discurso dele, parece ser o de quem fez uma grande prova. De quem chegou aos quartos-de-final, ou às meias-finais. É verdade que Portugal cumpriu com a sua obrigação. O mínimo dos mínimos era passar a fase de grupos, mas também não nos devemos deixar levar naquele tipo de discurso.

Não foi nenhum escândalo Portugal ter sido eliminado. Portugal defrontou a campeã europeia. A melhor selecção da actualidade, e uma das grandes favoritas. Hoje em dia não há vencedores antecipados. Portugal discutiu o jogo. Teve ocasiões. A Espanha foi realmente na totalidade a melhor equipa. Aquela posse e circulação de bola é qualquer coisa de extraordinário. Toda aquela mobilidade, movimentação. Aquele domínio. Aquele controlo. Passes ao primeiro toque. Aquilo fascina qualquer adepto de futebol. É sem dúvida a melhor selecção que vi jogar até hoje. Hoje em dia posso dar-me ao luxo de poder dizer isso. A Espanha merece que se diga tal coisa. Andei vários anos à espera que aparecesse a selecção que me enchesse as medidas. Hoje posso dizer que encontrei.


publicado por andre--- às 17:56
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